"It was one of those days when it's a minute away from snowing and there's this electricity in the air, you can almost hear it. And this bag was, like, dancing with me. Like a little kid begging me to play with it. For fifteen minutes."

29
Mar 09

 

de vento e de sol.

 

com a incrível voz da Nina de fundo, a lembrar-nos que a Primavera regressa sempre. mesmo quando parece perdida. escondida.


 

 

que belo dia para lhe dar na tese! bamo’lá!

 

 


26
Mar 09

da noite, muito tranquila, apenas vozes distantes.

sentei-me no granito, ainda quente do dia, e esperei.

à minha frente, Imensa como só ela sabe ser, a minha antiga Faculdade. hoje, silenciosa como sempre, está transformada na Reitoria da UP.

as memórias rasgam em catadupa o granito marcado. quartzo, feldspato e mica transtornam-me o olhar num pedacinho de oceano que tento esconder do mundo.

não passou assim tanto tempo.

e no entanto.

estou tão diferente.

estamos tão diferentes.

[depois, num repente, percebo: o essencial permanece. não estou diferente. sou a mesma, de uma outra forma. sou a mesma, sendo diferente.]

e eis que eles se aproximam, roupas pretas como o silêncio. vozes animadas, de repente, reúnem-se em torno do granito. Anima Mea.

 

e no fim do concerto, ela. sorriso aberto e passo miúdo. fala-me das filhas, uma biológica, duas adoptadas muito recentemente. fala-me dos traumas escondidos, dos esgares de agressividade que não sabe entender. fala-me da mais nova, nos seus quatro anos. do seu grave atraso cognitivo. da percepção estranhamente absurda do corpo humano. da mentira. da perseguição. dos instintos. da fúria da raiva da dor. da fúria. da raiva. da dor. e de tudo isto me fala com um sorriso. um olhar sereno. para concluir, numa humildade intocável, que precisa de ajuda. que vai consultar um psicólogo. e sorri outra vez. e eu, cada vez mais pequenina, cada vez mais amarfanhada. onde, meu deus, onde é que alguém aprende a ser tão Grande? tão Maior do que si mesmo?

[dizes: optimismo intrínseco. não concordo. é mais do que isso. é mais do que acreditar que, no fim, tudo correrá bem. é acreditar que, mesmo que não corra, o amor permanece. o essencial permanece.]

viro costas ao granito, à saudade. cresço e volto a crescer, mas o mundo continua bem Maior do que todos os meus horizontes.

 


03
Mar 09

eu não sei quanto a vocês, mas eu acho que os vírus são criaturinhas verdadeiramente fascinantes.

deixem de parte tudo quanto seja preconceito não-biológico e pensem comigo: os vírus são caracterizados por uma simplicidade extrema, uma elegância verdadeiramente irrepreensível. nada de supérfluo existe naqueles bichinhos inteligentes – tudo é cuidadosamente pesado e medido, não há espaço para vaidades. e no entanto, do fundo deste incrível despojamento, os vírus conseguem conquistar e dar a volta a cabeça a formas de vida bem mais complexas, como sendo as células animais ou vegetais. não se deixem enganar: os vírus não são quase nada. uma caganita de DNA (RNA, por vezes) e meia-dúzia de proteínas à volta a proteger o forte. a maior parte deles, como diriam os nossos amigos britânicos, doesn’t even got what it takes. what it takes para constituir família, entenda-se. em vez disso, os danadinhos entram numa qualquer célula que apanhem distraída, e vá de subverter completamente o funcionamento da pobre bicha. inicia-se assim uma espécie de o-que-é-meu-é-meu-o-que-é-teu-é-nosso. qual emplastro preguiçoso, o vírus sub-repticiamente toma o controlo da célula recém-conquistada e obriga-a a produzir pequenos virinhos. é um massacre. um verdadeiro massacre.

lembrei-me disto há uns dias, durante uma viagem de comboio. atrás de mim, duas velhotas travavam conhecimento. tudo se iniciou quando uma delas, ao desligar o telemóvel, suspirou de forma bastante audível “pois que o senhor me dê paciência para aturar esta minha nora!”. a outra, com uma notável preocupação e solidariedade social, vá de perguntar o que se passava. e eis que, perante as minhas orelhonas pasmadas, assim do nada se desencadeou um temporal de queixumes&reclamações, temperados aqui ou ali por uma pitada de piedade e um punhado de falsa modéstia.  lentamente, acabei por me deixar adormecer, embalada por aquela valsa assassina que não poupou nada nem ninguém. mergulhei num sono agitado, em cujo sonho terríveis hordes de vírus a espumar pela boca invadiam um pobre agregado familiar, digo, celular, que sem se dar conta se deixava dominar. acordei a tempo de as ver abandonar o comboio, juntas, num elegante saltinho do degrau para a plataforma. saltinho esse que, diga-se, contrastou fortemente com o doloroso e lento entrar no comboio que tantos ais e uis havia provocado apenas duas horas antes. espreitei pelo vidro, e  duvidei se realmente teria acordado. frescas e viçosas, de coloração rosada na face e plena de vida, as duas velhotas atravessavam a plataforma de braço dado, num passo elástico e elegante.

um massacre é sempre um massacre. mas poucos são os que geram vid(v)a(cidade).

 

eu não sei quanto a vocês, mas eu acho que os vírus são criaturinhas verdadeiramente fascinantes.

rabiscado por catarina às 21:19

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